Saúde geral, imunológica, síndrome metabólica, neurologia
Impacto da dieta cetogênica na encefalite autoimune: um relato de caso

A encefalite autoimune é uma inflamação cerebral causada por uma resposta imune contra os neurônios, sendo a terceira causa mais comum, depois das causas virais e pós-infecciosas. Frequentemente, manifesta-se com convulsões e alteração do estado mental. Embora o tratamento padrão inclua imunoterapia e cuidados de suporte, as dietas cetogênicas têm se mostrado promissoras, particularmente para convulsões resistentes a medicamentos. Este relato de caso examina o uso de uma dieta cetogênica em um homem de 21 anos com encefalite autoimune.
O paciente apresentou febre alta, alucinações visuais, convulsões e estado de medo. Seu quadro clínico deteriorou-se apesar do tratamento padrão, e uma avaliação mais aprofundada levou ao diagnóstico confirmado de encefalite autoimune.
Devido a crises convulsivas persistentes e instabilidade clínica, iniciou-se uma dieta cetogênica supervisionada por médicos, começando com uma proporção de 3:1 de gordura para carboidrato mais proteína e posteriormente modificada para uma proporção de 4:1 para potencializar os efeitos terapêuticos. O óleo MCT foi utilizado para promover a produção de cetonas e facilitar o controle das crises convulsivas.
Principais conclusões:
Redução da atividade convulsiva:
- A duração inicial das convulsões diminuiu após o início da dieta cetogênica 3:1.
- A transição para uma proporção cetogênica de 4:1 levou a uma redução significativa na frequência das convulsões.
Melhorias bioquímicas e clínicas:
- Os marcadores de inflamação, como as enzimas hepáticas (SGOT, SGPT), normalizaram-se no momento da alta.
- Os níveis de creatina quinase, inicialmente elevados, sugeriram danos neurológicos, mas posteriormente estabilizaram.
- Os níveis de cetonas na urina atingiram 2+, indicando cetose nutricional sustentada.
Recuperação cognitiva e funcional:
- O paciente progrediu a ponto de reconhecer membros da família e seguir comandos. Ele passou da alimentação por sonda para a alimentação oral e obteve recuperação completa.
Este caso destaca o potencial da dieta cetogênica como estratégia adjuvante e não farmacológica para o manejo da encefalite autoimune, particularmente quando as crises convulsivas não respondem ao tratamento padrão. As melhorias observadas no controle das crises, nos marcadores bioquímicos e na função cognitiva reforçam o possível papel terapêutico da cetose em condições neuroinflamatórias. Mais pesquisas são necessárias para validar esses achados e orientar uma aplicação clínica mais ampla.