Epilepsia, Neurologia
Eficácia de curto prazo e efeitos colaterais da dieta cetogênica para epilepsia resistente a medicamentos em crianças com síndromes genéticas de epilepsia

A epilepsia resistente a medicamentos (DRE) afeta aproximadamente um terço de todos os pacientes com epilepsia e é definida pela falha de dois ou mais medicamentos anticonvulsivantes em controlar as convulsões. Intervenções cirúrgicas ou de neuroestimulação podem ser opções para alguns; no entanto, muitas crianças com DRE não são candidatas a esses tratamentos. Para esses pacientes, a dieta cetogênica surgiu como uma alternativa viável.
Embora intervenções cetogênicas tenham demonstrado eficácia em casos gerais de DRE, sabe-se menos sobre seu impacto em síndromes de epilepsia genética específicas, como a síndrome de Dravet e a síndrome de Lennox–Gastaut. Estudos recentes sugerem que dietas cetogênicas podem beneficiar pacientes com certas mutações genéticas.
Um estudo retrospectivo avaliou o controle de convulsões em 77 crianças ao longo de 12 meses, com foco nas características do paciente, como idade, início das convulsões, síndrome genética específica da epilepsia e número de medicamentos anticonvulsivantes usados.
Resultados:
- Redução geral de convulsões: 71.4% dos pacientes obtiveram uma redução de 50% ou mais nas convulsões.
- Melhoria por síndrome:
- 93.3% dos pacientes com síndrome de Lennox-Gastaut (SLG)
- 75% dos pacientes com síndrome de Dravet
- 75% dos pacientes com síndrome de West
- Idade do início das crises: Pacientes com início tardio de convulsões apresentaram maiores taxas de melhora.
- Uso de medicamentos anticonvulsivantes: Pacientes que tomaram menos medicamentos anticonvulsivantes apresentaram maiores taxas de melhora.
Esses resultados demonstram que dietas cetogênicas podem ser uma intervenção eficaz para o gerenciamento de DRE em crianças com síndromes genéticas de epilepsia. Mais pesquisas são necessárias para explorar resultados de longo prazo e eficácia em outros perfis genéticos.