Câncer, Exercício e Desempenho Esportivo
Direcionando o metabolismo diferencial de substratos energéticos em uma dieta cetogênica terapêutica: um relato de caso

Este relato de caso examina a relação entre a intensidade do exercício e os níveis de cetonas no sangue em um paciente do sexo masculino, de 44 anos, com glioblastoma, que seguiu uma dieta cetogênica terapêutica durante a quimiorradiação. Embora as dietas cetogênicas sejam cada vez mais exploradas como terapias adjuvantes no tratamento do câncer devido aos seus potenciais efeitos anti-inflamatórios e antitumorais, atingir e manter níveis elevados de cetonas pode ser um desafio, principalmente em adultos.
O paciente seguiu uma dieta cetogênica modificada (60–70 g/dia de proteína, <20 g/dia de carboidratos líquidos, 2,200–2,500 kcal/dia), atingindo níveis de cetonas ≥4 mmol/L e um índice glicose-cetona (IGC) ≤1 no início do tratamento. A atividade física inicial consistia em escalada indoor intensa, que foi posteriormente reduzida devido ao risco de convulsões. Essa redução na intensidade do exercício coincidiu com uma queda nos níveis de cetonas, apesar da ingestão alimentar inalterada e déficits calóricos semelhantes.
Para testar a hipótese de que a intensidade do exercício, em vez da duração ou do gasto calórico, estava associada a níveis mais elevados de cetonas, o paciente experimentou regimes alternativos de alta intensidade (por exemplo, ciclismo de alta intensidade e treinamento em circuito de alta intensidade). Os níveis de cetonas aumentaram após a reintrodução da atividade de alta intensidade, sugerindo uma relação dose-resposta.
Principais conclusões:
Análise de regressão (Modelo 1: Frequência cardíaca máxima como indicador de intensidade):
- Nível de cetonas do dia anterior: preditor mais forte (β = 0.68, p < 0.001)
- Frequência cardíaca máxima: preditor significativo (β = 0.23, p = 0.009)
- Proporção de gordura na dieta, calorias ingeridas e calorias ativas gastas: não significativas.
- Modelo R² = 0.70
Análise de regressão (Modelo 2: Utilização estimada de glicogênio muscular):
- Nível de cetonas do dia anterior: β = 0.64, p < 0.001
- Degradação estimada de glicogênio: β = 0.32, p < 0.001
- Proporção de calorias e gordura: não significativa
- Modelo R² = 0.77
Intervenções e Resultados do Exercício:
- Escalada intensa → Níveis elevados de cetonas (≥4 mM)
- Ciclismo/caminhada moderados → Redução dos níveis de cetonas
- Treinos intervalados de alta intensidade (HICT) → Retorno a níveis elevados de cetonas
Este relato de caso sugere que a intensidade do exercício é um fator modificável que pode apoiar ou aumentar os níveis de cetonas durante dietas cetogênicas terapêuticas, permitindo potencialmente uma adesão dietética mais flexível. Estudos controlados são necessários para estabelecer a causalidade e desenvolver diretrizes de exercícios que otimizem a cetose, particularmente para pacientes com câncer que buscam manter níveis terapêuticos de cetonas.