Sobre Mim
Sou nutricionista formada na Itália, com especialização pela Universidade de Pádua, no norte do país. Tive a sorte de estudar com professores e nutricionistas excepcionais que me ensinaram a lidar com situações clínicas, doenças agudas e diversas patologias, além de como trabalhar eficazmente com pacientes ambulatoriais.
Durante meus anos de universidade, realizei um estágio extenso e aprofundado, seguido de um ano e meio de trabalho em hospitais. Após essa experiência, decidi seguir minha trajetória profissional de forma independente. Embora estivesse bem preparado para lidar com patologias clínicas, logo percebi que, fora do ambiente hospitalar, a saúde é muito mais complexa — e que muitas pessoas acreditam estar saudáveis quando, na verdade, não estão.
Para aprofundar meu conhecimento, busquei formação complementar por meio de programas de mestrado e cursos de especialização, com foco nos mecanismos que influenciam as doenças. Comecei a acompanhar médicos e pesquisadores internacionais para explorar a saúde metabólica mais a fundo. Foi nesse momento que decidi ir além de uma abordagem convencional às doenças e me concentrar, em vez disso, nos fatores subjacentes à disfunção: o metabolismo e o gerenciamento de energia.
Da nutrição clínica à tecnologia e saúde metabólica
Após descobrir a inovação Estudo Virta HealthApaixonei-me pela tecnologia e seu papel no cuidado metabólico. O Monitoramento Contínuo de Glicose (MCG) rapidamente se tornou um dos meus principais interesses. Adotar um estilo de vida com baixo teor de carboidratos e cetogênico abriu minha mente e meus olhos — primeiro para mim mesma e, posteriormente, para muitos dos meus pacientes, com resultados notáveis.
Desde então, meu foco profissional se expandiu para incluir a psiquiatria metabólica, com atenção especial às conexões entre saúde metabólica, mental e cerebral, bem como ritmos circadianos e biologia quântica.
Tendo um histórico pessoal de desafios psiquiátricos e consequências físicas decorrentes de um transtorno alimentar precoce, sei em primeira mão o quanto a dieta e o estilo de vida podem contribuir para a cura. Minha recuperação ainda está em andamento e continua a inspirar meu trabalho com outras pessoas. Hoje, dedico-me a criar soluções baseadas em dados, utilizando tecnologias como monitores contínuos de glicose (CGMs) e dispositivos vestíveis. Meu objetivo é ajudar as pessoas a entenderem como seus corpos estão funcionando e a identificarem sinais de alerta precoces — agindo antes que as disfunções se tornem graves ou irreversíveis. Em última análise, minha missão é melhorar a qualidade de vida, tanto para aqueles que lidam com doenças crônicas quanto para aqueles que buscam prevenção e saúde ideal.
Grupo de estudo em indivíduos não diabéticos
Realizei um estudo de grupo de duas semanas com 21 participantes (14 mulheres e 7 homens) com idades entre 31 e 72 anos. Apenas um participante do sexo masculino tinha diagnóstico de diabetes tipo 2; duas mulheres tinham hipotireoidismo de Hashimoto; uma mulher tinha uma doença autoimune nas articulações; e outra tinha SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos).
Os participantes eram, em sua maioria, onívoros, com exceção de uma mulher vegetariana. A ingestão média de carboidratos no início do estudo era de aproximadamente 140 gramas por dia, provenientes principalmente de vegetais, frutas, pão, cereais e produtos de panificação. Apenas cinco participantes praticavam exercícios físicos regularmente, enquanto os dezesseis restantes eram, em sua maioria, sedentários.
Durante o período de monitoramento, orientei os participantes a reduzirem progressivamente a ingestão de carboidratos — primeiro para menos de 100 gramas por dia nos cinco dias iniciais e, em seguida, para cerca de 70 gramas por dia, provenientes principalmente de vegetais, frutas e leguminosas devidamente preparadas, caso toleradas.
Os pacientes acompanharam diversos dados do monitoramento contínuo de glicose (CGM), do monitor de glicose e cetonas, do diário alimentar e de um diário sobre seus sentimentos, e alguns tiveram a possibilidade e a oportunidade de verificar exames de sangue. Todos os pacientes tiveram seus níveis de glicose e insulina em jejum, colesterol total, colesterol HDL, colesterol LDL, triglicerídeos, GGT, AST e ALT medidos.
Os resultados foram surpreendentes: todos os pacientes apresentaram melhora no bem-estar, com menos fome, tontura, cansaço e sonolência; alguns começaram a perder peso e a se movimentar um pouco mais durante o dia.
Embora este tenha sido um pequeno grupo piloto com dados limitados e sem exames de sangue abrangentes devido a restrições de recursos, os resultados são encorajadores. Em apenas duas semanas, observamos melhorias significativas na glicemia média, na variabilidade glicêmica, nos dados de monitoramento de cetonas e no bem-estar geral. Esses resultados sugerem que a educação e intervenções de curto prazo no estilo de vida podem fazer uma diferença real, mesmo em indivíduos não diabéticos.
Estudo de caso: Mulher com sobrepeso, insônia, depressão, ataques de pânico e compulsão alimentar.
Uma paciente em particular relatou melhorias notáveis tanto na saúde cerebral quanto na mental. Ela era psicóloga, uma mulher com sobrepeso que sofria de insônia, depressão, ataques de pânico e compulsão alimentar. Ela aderiu ao programa, adotando um plano alimentar com baixo teor de carboidratos, e começou a praticar a alimentação com restrição de tempo de três a quatro vezes por semana, a partir da segunda semana da fase de monitoramento.
Após apenas uma semana, ela descreveu sentir-se uma pessoa diferente. Sua qualidade de sono melhorou, sua vontade incontrolável de comer diminuiu e ela começou a acordar menos ansiosa. Ao final do período de duas semanas, ela não havia apresentado ataques de pânico ou episódios de compulsão alimentar e havia perdido quase 1,4 kg. Em sua consulta de acompanhamento um mês depois, seu peso havia diminuído de 76.6 kg para 70.8 kg, e seus níveis basais de glicose, insulina, colesterol total, triglicerídeos, GGT e ALT apresentaram melhora.
Ela discutiu seu progresso com sua terapeuta e solicitou ajustes na medicação devido às suas melhorias significativas. Ela estava dormindo melhor, conseguindo lidar com o trabalho sem crises e se sentindo mais estável no geral. Seu estilo de vida estava visivelmente se transformando. Ela começou a apreciar a alimentação consciente, não sentia mais vergonha em relação à comida e não teve mais episódios de compulsão alimentar. Ela teve apenas um ataque de pânico após um incidente familiar estressante, quando seu filho caiu da escada.
Este caso está em consonância com as evidências emergentes no campo da psiquiatria metabólica, demonstrando como intervenções no estilo de vida — como dietas com baixo teor de carboidratos ou cetogênicas, alimentação com restrição de tempo e escolha de alimentos integrais — podem influenciar positivamente tanto a saúde metabólica quanto a mental. Essas intervenções parecem apoiar não apenas a função cerebral e corporal diretamente, mas também indiretamente por meio da modulação do microbioma intestinal.
A psiquiatria metabólica é uma abordagem abrangente e em constante evolução que capacita os pacientes a alcançarem um melhor bem-estar mental e metabólico. Este pequeno projeto me lembrou o quão poderoso pode ser observar nossa própria biologia e fisiologia em tempo real. Quando as pessoas visualizam seus dados e se tornam conscientes de suas ações, começam a compreender seu metabolismo — e essa consciência transforma tudo.
Meu objetivo é levar a nutrição baseada em dados e a educação metabólica a todos, preenchendo a lacuna entre o conhecimento clínico e a saúde no dia a dia. Acredito que a integração de dados contínuos, nutrição personalizada, orientação sobre estilo de vida e maior conscientização seja a próxima fronteira na medicina preventiva e na saúde metabólica.
REFERÊNCIAS
- Mattson e outros. Impacto do jejum intermitente nos processos de saúde e doença. Envelhecimento Res Rev. 2017 Out:39:46-58
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Ilaria Bertini, RD